Mas encare a tarefa com realismo:
a digitalização é um processo relativamente lento, ou seja, que consome tempo.
Isso ocorre porque, com freqüência, você é forçado a interromper a gravação e
recomeçar do zero – seja porque a agulha pulou ou porque o volume do PC não foi
ajustado corretamente e o som ficou distorcido.
Para evitar esses contratempos, basta seguir algumas dicas. Primeiro, é
fundamental limpar o disco antes da gravação.
Agora escute o LP inteiro, pelo menos uma vez, antes de começar a gravação.
Dessa forma, você poderá identificar eventuais trechos problemáticos – onde a
agulha desliza ou pula. Quando terminar de tocar o LP, observe o estado da
agulha. Se ela estiver suja, limpe-a e execute novamente o disco.
Repita esse processo até que, ao final do disco, a agulha esteja limpa – isso
significa que ela já retirou o máximo possível de sujeira, ou seja, fisicamente
o LP está na melhor condição.
É hora de gravar.
Agora, o detalhe mais importante é o volume da gravação, que você ajusta no
computador. O ideal é gravar o mais alto possível.
Acontece que existe um limite. Se a música atingir esse patamar, que é
identificado pela sigla 0 dBFS (zero decibéis digitais), a gravação já era –
surge uma distorção fortíssima, que não dá para consertar depois.
Por isso, o ideal é regular o volume de gravação para um nível um pouco mais
baixo, -6 dBFS. Mas como fazer isso?
Ponha a música para tocar, e observe o valor medido pelo seu software de
gravação. Ao mesmo tempo, vá mexendo no controle de volume do Windows.
Lembre-se de que a música é dinâmica, ou seja, o volume real varia (quando a
banda toca mais alto ou o cantor grita, há picos). Por isso é fundamental escutá-la
antes de gravar: dessa forma, você identifica os picos de som e ajusta o
controle de volume de acordo com eles.
O ideal é que, mesmo nesses picos, o nível de gravação não passe de -6 dBFS (depois,
conforme você for adquirindo mais prática, pode experimentar gravar mais alto, a
-3 dBFS).
Após gravar, dê uma escutada no arquivo para ver se saiu tudo certinho.
Se saiu, você pode começar a etapa mais divertida da digitalização (para quem
gosta de som, pelo menos): tentar “remasterizar” o LP, ou seja, melhorar
digitalmente o som.
Os softwares de gravação já vêm com filtros específicos, que prometem eliminar
chiados e estalos. Mas, ao usá-los, tenha bom senso: se forem ajustados para um
nível muito alto, os filtros estragam totalmente o som. O ideal é usá-los com
moderação – vá experimentando.
O programa gratuito Audacity (veja no infográfico) já tem esses filtros,
mas eles são meio toscos.
Seja qual for o software escolhido, tenha em mente uma coisa. Mesmo fazendo tudo
direitinho, o resultado dificilmente terá a mesma qualidade de som de um CD “industrializado”.
Isso porque, quando relançam um disco de vinil em formato digital, as gravadoras
utilizam equipamentos profissionais.
Mas você pode, sim, conseguir excelentes resultados no seu computador. Só evite
as placas de som do tipo on-board (embutidas na placa-mãe). São ruins demais,
não servem.