Criar DVDs com menus
interativos e capitulados a partir de fitas VHS é um
processo lento, trabalhoso e requer equipamentos
relativamente caros como um bom computador, um gravador
de DVD, placa de captura de vídeo e softwares
proprietários – que precisam ser comprados. Caso você
não tenha paciência ou dinheiro suficiente para fazer a
conversão em casa, não será difícil encontrar
profissionais – principalmente em cidades grandes como
São Paulo e Rio de Janeiro – que realizam todo processo
por algo em torno de R$ 20, por fita.
Mas se você gosta de desafios, não se incomoda em gastar
um pouco mais para ter tecnologia de ponta em casa ou
tem muitos filmes antigos que quer passar para o formato
digital, vale o investimento. Para simplificar a
explicação do processo, é interessante separá-lo em duas
partes.
A primeira é a digitalização do conteúdo da fita – seja
direto para um DVD ou para o HD do computador. Feita a
digitalização, passa-se para a segunda parte, que é
trabalhar este conteúdo dividindo-o em capítulos,
colocando trilha, legendas, efeitos, montando menus e
dando uma cara mais profissional ao trabalho. Confira a
seguir os detalhes das duas fases.
A conversão
São três formas básicas de passar o conteúdo da fita –
que tem sua informação armazenada analogicamente – para
o formato digital (do DVD, do iPod, do Windows Media
Player, entre outros). Feita a conversão, o usuário pode
passar a informação para o computador e lá montar menus,
inserir legendas, trilhas sonoras e outros efeitos que
lhe interessem.
A primeira – mais fácil e cara – é por meio da compra de
um aparelho que é um misto de videocassete e gravador de
DVDs. Como os antigos toca-fitas “double-deck”, o
usuário coloca a fita VHS do lado esquerdo do aparelho
enquanto do lado direito, em um drive de DVD-R, ele
insere um DVD virgem. Com o apertar de alguns botões, o
processo é iniciado e a informação da fita é passada
para o formato digital. Vale lembrar que o processo é
feito a 1X – ou seja, se o conteúdo que está na fita tem
uma hora, levará uma hora para passá-lo para o DVD. Dois
modelos interessantes deste tipo de aparelho são o
LG RC7000B
e o
LG RC7723B.
A segunda opção é a compra de um gravador de DVDs que
pode ser conectado a um videocassete tradicional. Esta
opção é interessante para quem já tem o leitor de fitas
VHS em casa. Neste caso, para passar o conteúdo da fita
para o formato digital, o usuário deve conectar o
videocassete ao gravador de DVDs. Feita a conexão, o
processo de gravação se faz “manualmente”. Ou seja, o
usuário deve apertar o botão “Record” no gravador de
DVDs e depois dar início à reprodução do conteúdo na
fita VHS, que será armazenado em um DVD virgem. Neste
caso, uma boa opção é o
Philips DVDR3380/78.
O terceiro e último método é o mais complicado, mas
também é o mais econômico por não limitar o uso das
tecnologias por ele empregadas: o gravador de DVD para
computadores e a placa de captura vídeo. A placa de
captura, por exemplo, além de ser usada para puxar o
conteúdo de uma VHS, pode gravar praticamente qualquer
coisa que emite um sinal de vídeo e áudio. Já no caso do
gravador de DVD, o usuário pode, além de usá-lo para
guardar informações visuais, queimar discos de até 6GB
de informação – um ótimo recurso para fazer backup de
bibliotecas de música ou imagens. Como sugestão de
hardware, ficam as placas da captura da
Pinnacle
e da
PixelView.
Já os gravadores de DVD são muitos e de muitas marcas,
portanto, cabe ao consumidor escolher o que se encaixa
melhor ao seu bolso e interesses.
Pois bem, explicada a economia e a versatilidade deste
método, vamos à sua desvantagem – o fato de ser mais
complicado por envolver mais passos e maior conhecimento
de tecnologia. Para realizar o processo, de início, o
usuário terá de instalar a placa de captura. Feito isso,
deve conectar seu videocassete ao periférico –
geralmente por meio de cabos RCA (aquele amarelo,
vermelho e branco) – e, com auxílio de softwares que
comumente acompanham o hardware, fazer a digitalização
das imagens. Um bom espaço no HD também se faz
necessário já que informação em vídeo, principalmente
com qualidade de DVD, ocupa um bom espaço. Caso o
usuário já queira passar o conteúdo para um DVD virgem,
basta inseri-lo no drive e queimar a informação no
formato VOB – que pode ser lido por qualquer leitor do
Digital Video Disc.
Inclusão de menus, legendas, capítulos e extras
Para editar vídeos digitais em casa o usuário vai
precisar de um computador robusto. Portanto, antes de se
aventurar pela editoração e criação – também conhecida
como “autoração” – de DVDs, verifique se sua máquina tem
um bom processador (Pentium 4, Pentium Centrino M ou
Centrino Core Duo), pelo menos 512 MB de memória RAM
(sendo o ideal 1 GB), se possível memória dedicada de
vídeo e entre 10 GB e 15 GB de espaço livre no HD.
Afirmar, categoricamente, que não existem alternativas
boas e gratuitas para autoração de DVDs seria uma
irresponsabilidade. Mas, por ser uma ferramenta
extremamente complexa, que envolve uma série de
tecnologias (de vídeo, áudio, formatação e codificação,
entre outros) e que requer uma excelente capacidade de
administração do pesado processamento de dados, é mais
difícil encontrar programas e programadores dispostos a
fazer tudo isso gratuitamente. Por isso, os softwares
indicados nas nossas dicas se restringem aos softwares
proprietários – isto é, eles que precisam ser adquiridos
e não podem ser baixados gratuitamente pela Internet.
De nível profissional, talvez a solução mais completa e
com mais tutoriais gratuitos na Internet – o que
facilita o aprendizado – seja o DVD Architect 3.0a, da
Sony. Com ele, o usuário consegue montar menus, editar
conteúdo, inserir legendas, colocar trilha sonora,
capitular e ainda gravar o conteúdo em um DVD virgem.
Recursos complexos como inserção de trilha sonora com
loop no menu, bem como comandos que levam o usuário ao
filme em si, ou apenas a uma seleção editada, ou ainda a
uma galeria de imagens do filme – como se vê em DVDs
profissionais – também são oferecidas de forma
relativamente simples ao usuário.
Caso o usuário não queira usar o
Vegas+DVD Architect 3.0a
da Sony, que sai por US$ 90, outras opções, como o
Media Chance DVDLab
(US$ 100),
Adobe DVD Encore
(US$ 380), e Sonic Scenarist, também estão disponíveis
na rede. O procedimento como um todo – de digitalização
de um VHS e criação de um DVD profissional a partir do
conteúdo capturado – é complexo.
Em termos de áudio, seria parecido com converter um
LP em um CD
já que se tratam de duas plataformas diferentes de
armazenamento de informação: analógico e digital. Com o
tempo, porém, espera-se que o processo se simplifique e
que os colecionadores de fitas e os pais corujas não
precisem mais se preocupar com o bolor que se forma no
VHS daquele clássico ou do filme do primeiro aniversário
da filho. Com a conversão do VHS para o DVD, suas
preciosas imagens ficarão definitivamente imortalizadas
– agora digitalmente.