Tenho aqui comigo algumas
caixas de sapato, daquelas de papelão, cheias de CD-R's gravados. São centenas
de discos onde guardo tudo o que venho considerando importante ao longo de 27
anos de contato com o mundo dos
computadores
. E, para não facilitar, gravei dois CDs para as informações mais sagradas,
mantendo cada cópia num local diferente. Sempre acompanhei os alertas sobre a
vida útil de informações gravadas em CD-R e, quando os dados armazenados são
de alto valor, utilizo a técnica de
envernizar
o CD.
Como sabemos, a única certeza
que podemos ter com relação aos arquivos que gravamos em casa em CDs e DVDs é
que mais cedo ou mais tarde eles vão se perder. A mídia não tem longevidade. O
certo seria, de tempos em tempos, regravar todos os CD/DVDs de uma coleção em
mídias novinhas, mas você decerto já imaginou a trabalheira que daria.
Recebi do legendário Pictus,
incansável buscador de paradas espertas na Rede, a dica de duas publicações,
nem tão recentes assim, que tratam a fundo da questão da durabilidade de CDs e
DVDs. O primeiro destes trabalhos é de autoria de Fred R. Byers, pesquisador
do
NIST (National
Institute of Standards and Technology = Instituto Nacional de Padrões e
Tecnologia, instituição americana). Trata-se da publicação especial 500-252:
"Care and Handling of CDs and DVDs - A Guide for
Librarians and Archivists" (Cuidado e
Manuseio de CDs e DVDs - Um Guia para Bibliotecários e Arquivistas), de
outubro de 2003. É uma pena que texto tão bom ainda não tenha sido traduzido
para a nossa língua, bem, pelo menos que eu saiba, tal tradução não existe. As
dicas básicas de cuidado e manuseio de CDs e DVDs, acho que qualquer um de nós
já conhece:
-
Segurar o disco pelas bordas
ou pelo buraco central;
-
Escrever no disco apenas do
lado da etiqueta usando marcador ou caneta de transparências;
-
Manter o disco limpo e livre
de materiais abrasivos ou detritos;
-
Armazenar os discos na
vertical, como se fossem livros numa estante, e em capas específicas para
CDs e DVDs;
-
Não deixar os discos soltos
ou jogados em cima de mesas ou outras superfícies, guardá-los na capa
imediatamente após o uso;
-
Manter os discos em suas
capas para minimizar os efeitos negativos de mudanças ambientais;
-
Abrir um pacote de mídias
graváveis apenas quando estiver pronto para gravar o disco.
-
Armazenar os discos em local
fresco, seco e escuro e onde o ar seja limpo;
-
Remover sujeira, poeira,
marcas de dedos, manchas e líquidos utilizando um pano limpo de algodão
realizando um movimento em linha reta do centro do disco para a borda;
-
Em caso de sujeira teimosa,
use detergente específico para limpeza de CD/DVD ou mesmo álcool
isopropílico ou metanol;
-
Verifique visualmente a
superfície do disco antes de gravá-lo.
Apenas para enfatizar bem as
idéias, vejamos o que não se deve fazer com os discos:
-
Não tocar na superfíce do
disco;
-
Não envergar nem dobrar o
disco;
-
Não utilizar etiquetas
adesivas;
-
Não guardá-los na horizontal
por longo tempo, digo, anos a fio;
-
Não abrir pacotes com mídia
gravável antes de estar pronto para gravá-la;
-
Não expor os discos a umidade
ou a calor extremos;
-
Não expor os discos a
mudanças bruscas de temperatura ou umidade;
-
Não expor os discos a luz do
sol prolongada ou outras fontes de luz ultravioleta;
-
Não escrever ou deixar marcas
na superfície de dados, ou seja, o lado espelhado, o que o laser lê;
-
Não limpar o disco com pano
fazendo movimentos circulares;
-
Não arranhe o disco no lado
da etiqueta;
-
Não use lápis, caneta ou
marcadores de ponta fina para escrever no disco;
-
Não escreva no disco usando
marcadores cuja tinta contenha solventes;
-
Não tente remover ou
reposicionar uma etiqueta que já esteja colada.
Para armazenar dados em longo
prazo, recomenda-se usar discos que tenham a camada refletiva de metal
dourado. Além disso, CDs e DVDs graváveis devem ser mantidos numa temperatura
entre 4° e 20°C e umidade relativa entre 20% e 50%. Os números aceitáveis são
18°C de temperatura e 40% de umidade relativa. Quanto mais frio, melhor para
longas durações de armazenamento.
Se considerarmos mídia digital,
discos ópticos pré-gravados e write-once (escrita única) são até mais estáveis
do que fitas magnéticas digitais. No entanto, nem discos ópticos nem fita
magnética digital são tão estáveis quanto microfilme ou papel, infelizmente.
Com os devidos cuidados, microfilmes e papéis não-ácidos podem durar séculos,
ao passo que meios digitais podem durar apenas algumas décadas, na melhor das
hipóteses. No caso dos discos ópticos, teste realizados em laboratório atestam
que, sob condições extremas de temperatura, umidade e iluminação podem
danificar mídias em questão de poucos dias.
Febre de digitalização
A facilidade em converter
material analógico antigo em arquivos digitais fez nascer a chamada "febre da
digitalização". Documentos, livros, jornais, fotografias, gráficos,
músicas ,
sons e filmes - tudo isso passou a ser freneticamente convertido para o
formato digital e gravado, em sua maioria, em CDs e DVDs. Existem porém alguns
probleminhas nessa loucura de sair digitalizando qualquer conteúdo analógico
que apareça pela frente. A versão digital pode não representar de forma fiel o
original analógico. Isso pode ocorrer em função do uso de taxas de captura (sampling
rates), algoritmos de compressão e falhas na qualidade de gravação durante a
conversão propriamente dita. Estas perdas de fidelidade variam caso-a-caso,
mas devem sempre ser consideradas no processo de conversão analógico-digital.
Usuários com sentidos acurados, digo, visão e audição basicamente, notarão a
perda de qualidade. Usuários medianos, porém, provavelmente nada perceberão.
CDs e DVDs graváveis podem ter
duas finalidades: ou serão consultados com freqüência ou então permanecerão
guardados à guisa de
arquivo
morto. No primeiro caso, devem ser guardados em local de fácil acesso, sendo
cada disco verificado visualmente após cada uso, visando a identificar
possíveis defeitos ou contaminações. Já os discos para arquivo devem ser
mantidos em ambiente controlado, longe das cópias usadas para consulta.
Longevidade
Com relação à longevidade das
mídias, o supra-citado estudo aponta os seguintes valores estimados, para
condições rigorosamente controladas de manuseio e armazenamento físico:
-
CD-R, DVD-R, DVD+R - entre
100 e 200 anos
-
CD-RW, DVD-RW, DVD+RW,
DVD-RAM - 25 anos
-
CD-ROM, DVD-ROM -- entre 20 e
100 anos
Com relação aos discos
graváveis (R), eles são bastante sensíveis à incidência direta de luz solar,
pois os fótons das radiações ultravioleta do espectro têm energia suficiente
para para produzir reações fotoquímicas nas moléculas que compõem a camada de
gravação. Além disso, a larga faixa espectral da luz solar, que vai do
infravermelho ao ultravioleta, pode esquentar o disco, acelerando sua
degradação ou a fissura da camada de gravação. Junte-se alta temperatura e
alta umidade relativa e a coisa piora ainda mais.
Conforme já dito aqui, não se
deve fletir, dobrar, curvar ou vergar um CD ou DVD, de jeito nenhum, pelo amor
do santo. Na hora de tirá-lo da capa plástica, tenha cuidado para não
envergá-lo demais, seja dócil. Sentar em cima do pobre disco? Nem pensar.
Guardá-lo na horizontal por longos períodos, em especial em ambientes quentes,
pode fletir permanentemente o disco fazendo com que, apesar de os dados
permanecerem intactos, o drive não opere corretamente o CD/DVD, impedindo que
o laser siga as trilhas com precisão.
Maldição da cola
Atenção também à hedionda
maldição da cola do envelope plástico. Se nunca aconteceu com você, sorte sua.
Muito incauto, tendo guardado seu CD-R de estimação naqueles plásticos com aba
adesiva, na hora de tirar o disco do invólucro, acidentalmente deixou-o
encostar na lingueta grudativa. O resultado em geral é catastrófico, pois o
grude é imediato e deixa um resíduo de cola quando a vítima se refaz do susto
e toma coragem de depregar o CD do maldito plástico.
Quanto ao segundo trabalho que
me foi indicado pelo Pictus, deixarei aqui apenas o
link para o
dito cujo, pois trata-se de texto em inglês e altamente cabeludo
cientificamente falando, de modo que deixo para os mais audazes o privilégio
de se beneficiar de tão notável leitura. Garanto-lhes, porém, que estes
certamente se deleitarão ao travar contato com parâmetros-chave medidos em
discos ópticos, tais como jitter, BLER, E32, PIE e POE que, confesso, são
areia demais para o meu caminhãozinho.
De resto, talvez interesse
visitar o
site de um
cidadão que testou vários produtos para minorar os efeitos nefastos de
arranhões em CDs. Pasta de dente, para ele, ainda é o campeão.
Já outro fornecedor,
aparentemente bem mais sério, com 80 anos de tradição em polimento, fornece um
kit completo para reparo de arranhões em CDs e DVDs. É uma empresa de
ferramentas para joalheiros, a
A&B Jewels and Tools.
Ou então, que tal esta
maquineta holandesa para "des-arranhar" CDs? Engenhoca de primeira categoria,
sem dúvida. Confira
aqui.
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Fonte:
Fórum PCs
e
HostNet