Dia desses um conhecido ganhou um
MP3 player de presente e comentou que teria que procurar arquivos MP3 de
suas
músicas favoritas na Internet, pois não tinha nenhum no computador para
copiar para o aparelhinho. Ora, mas e a sua coleção de CDs? No fim das
contas, o problema é que ele não fazia a menor idéia do quão simples é
converter um CD inteiro para MP3. Ou “ripar” o CD, como chamam os
entendidos.
Se você também tem dúvidas ou precisa de uma dica de um bom
programinha para realizar o procedimento, basta acompanhar este tutorial.
Mas, antes de mais nada, vamos aos esclarecimentos legais de sempre: muita
gente automaticamente associa MP3 à pirataria e teme que um exército de
advogados de gravadoras surja na sua porta no momento em que você tiver
terminado de ripar o primeiro disco. Nada disso!
Converter seus CDs para MP3 nada tem de ilegal – desde que depois você
não coloque os arquivos disponíveis na Internet, por meio de uma rede de
compartilhamento de arquivos. Na verdade, fazer MP3 de um CD que você tem é
o equivalente moderno a gravar uma fita cassete a partir de um disco de
vinil. É, também, a principal forma lícita de se obter um MP3 de uma música
consagrada aqui no Brasil, já que ainda estamos engatinhando em venda de
música online e baixar tudo de graça, isso sim, é ilegal.
Além de permitir o acesso às suas canções em um MP3 player,
ripar sua coleção de CDs lhe garante acesso a ela no computador, seja para
não precisar ficar trocando os discos no CD player, para dar uma festa sem
ninguém colocar os dedões em seus preciosos disquinhos ou para ter uma cópia
de segurança de tudo caso um CD seja perdido, roubado, arranhado e por aí
vai.
Se você tiver um CD player capaz de interpretar o formato MP3,
também é interessante compilar o conteúdo de uma dúzia de discos – toda a
coleção original dos Beatles, por exemplo – em um só disco, já que a
compressão típica do formato MP3 é de 12:1. No mínimo, vai economizar um
espaço e tanto no porta-luvas do carro, sem falar que se ele for roubado
você não precisa repor tanta coisa.
Com a ferramenta certa, ripar é fácil e gratuito
Agora que você já está convencido de que ripar CDs é legal (em ambos os
sentidos da palavra), vejamos como fazê-lo. O primeiro passo é baixar um
programa para isso. Escolhemos o FreeRip, da MGShareware (que você pode
baixar na seção de
downloads do
WNews), por ser totalmente funcional e gratuito. Ele até
pede para ser registrado, mas o processo é grátis e opcional. E o melhor de
tudo: tem versão em português.
A
tela principal do FreeRip é extremamente simples: uma tabela onde serão
listadas as músicas e suas características, alguns campos de texto no rodapé
e uma barra de ferramentas no topo (Figura 1). Assumindo
que você já tenha inserido o disco a ser ripado no drive (a propósito: é
drive mesmo, sem o “R” no final. Driver é outra coisa, um programa que
controla algum dispositivo de hardware, mas até quem trabalha na área faz
confusão), vamos começar por clicar no primeiro botão dessa barra para
“Atualizar o conteúdo do CD”. Se você tiver mais de uma unidade, logo
veremos como selecionar.

A configuração-padrão do FreeRip identifica e busca automaticamente nome,
autor, data e lista de músicas do CD no serviço freedb.org, um banco de
dados que contém informações sobre o conteúdo de praticamente todo CD já
lançado. Como alguns discos foram catalogados em mais de uma categoria do
freedb (quatro, neste nosso exemplo), pode ser preciso escolher a mais
adequada (Figura 2).
Agora
a tela principal do programa deve estar exibindo a lista de músicas do CD e
a duração de cada uma, no tabelão central, bem como o nome do Álbum,
Artista, Gênero Musical, Ano e duração total do disco, no rodapé
(Figura 3). Você pode editar as informações que desejar ou
acrescentar comentários adicionais.
Opções para todos os gostos
Antes de mandar o programa converter as músicas, vamos dar uma olhada em
suas principais opções
de
configuração. Basta clicar no segundo botão da barra para abrir a janela de
Opções. Na aba Geral (Figura 4), podemos escolher o padrão
de codificação (MP3, Ogg Vorbis ou Wav) e ativar ou desativar o controle
automático de volume e o som que avisa quando o processo foi concluído, além
de selecionar o idioma e cancelar a exibição de janelas solicitando o
registro.
Na
aba seguinte, Pastas e
Arquivos (Figura 5), definimos o destino dos MP3
gerados pelo programa (geralmente sua pasta Minhas Músicas) e o padrão de
nomenclatura. É possível determinar a criação automática de subpastas com o
nome do artista, título do CD ou ambos e gerar arquivos com o número da
faixa, o nome do artista ou ambos como prefixo. Marcando a opção Definições
Avançadas, podemos montar a estrutura de identificação que quisermos,
guiando-nos pelos sinais exibidos inicialmente e o exemplo mostrado logo
abaixo.
A próxima aba, Dispositivo (Figura 6), é onde escolhemos
de qual unidade de disco vamos converter quando o computador
possui
mais de uma. Se você tem um drive de CD-ROM mais antigo e um gravador de
CDs, DVD player ou combo-drive recém adquirido, dê preferência ao
mais novo, pois a velocidade de leitura influi no tempo de conversão do
disco.
A
quarta aba, última que nos interessa para os objetivos deste tutorial, é a
Encoder (Figura 7). Aqui definimos as características
técnicas dos arquivos de áudio a serem gerados. O popular MP3, por exemplo,
pode ser gravado com taxas de amostragem (bitrate) que variam de 16 a 320,
sendo que a mais comum é 128. Quanto maior a taxa, mais qualidade, só que o
arquivo também fica maior.
Depois de tudo configurado, vamos clicar no botão "Seleciona todas as
fachas" (ou marcar individualmente aquelas que desejamos ripar) e, em
seguida, no botão "Converte as faixas selecionadas para o formato padrão".
Caso você queira um formato diferente, é só clicar no menu Converter e
escolher a opção correspondente. Pronto! Agora é só esperar um pouco (mais
ou menos, dependendo da velocidade do drive e do computador) enquanto suas
músicas são convertidas. É ou não é simples?