Quanta grana será que a
indústria fonográfica vem perdendo com os adventos do MP3 e da prática de
ripar CD's de música? Não se sabe exatamente o montante, mas tem sido muito,
muito dinheiro. Mais ainda depois que apareceu o
iPod
da Apple. A turma vai sugando centenas de músicas para dentro de seus
adoráveis aparelhinhos e lá se vão gigas e gigas de sonzaço dentro do bolso
de um paisano qualquer perambulando pelas ruas.
Mas tem gente querendo acabar
com a festa da rapaziada. Bem, acabar acho não conseguem, mas dificultar um
pouco, talvez. É que grandes gravadoras como EMI e Sony BMG estão
lançando cada vez mais títulos em CD nos Estados Unidos com mecanismos de
bloqueio para transferências de músicas para iPod. A Sony BMG está usando
DRM (Digital Rights Management)
para restringir quais formatos de arquivos podem ser usados pelo consumidor
para realizar cópias digitais de músicas, dentre os quais, obviamente, não
se inclui o formato MP3. Além desta limitação, o DRM também pretende limitar
quantas cópias o indivíduo pode fazer dos arquivos. Por sua vez, a EMI está
testando um esquema similar de proteção que pretende adotar em larga escala
no ano que vem.
Goela abaixo
Acontece que estas decisões
não estão descendo direito goela abaixo de alguns dos
artistas
cujos CDs foram protegidos. Segundo recentemente anunciou a rede CNN,
muitos grupos musicais e artistas estão publicando em seus websites oficiais
instruções sobre como burlar estes esquemas de proteção. Alguns sites estão
difundindo para os donos de iPods uma das mais simples maneiras de contornar
o entrave, qual seja, ripar o CD trancado para dentro de um
arquivo
Windows Media, queimar as trilhas num CD-R furreca sem proteção e depois
ripá-lo novamente, sendo que desta vez para dentro do
iTunes.
Como exemplo deste nem tão
silencioso motim, Tim Foreman, guitarrista do grupo
Switchfoot,
no dia 14 de setembro postou num site de fãs do conjunto, hospedado na
própria Sony Music, um link para o famoso programeto CDEX, um dos que
permitem burlar a barreira. Desnecessário dizer que, logo no dia seguinte, o
tal post foi removido do fórum.
É claro que alguns artistas "protegidos"
dão a maior força às iniciativas anticópia, mas o fato de existirem posições
favoráveis à burla é o que realmente chama atenção. Por ora, os CDs
protegidos, que vêm despertando a ira de nove entre dez consumidores, só
podem ser tocados com softwares e dispositivos compatíveis com a tecnologia
Windows Media Player do nosso titio Bill. Já a Apple, empresa líder no
mercado de música digital, continua fazendo jogo duro ante os efusivos
pedidos das gravadoras para que licencie seu esquema DRM
FairPlay
para uso em CDs protegidos. A Sony BMG, por exemplo, que já vendeu mais de
13 milhões de CDs protegidos, põe lenha na fogueira, incentivando seus
consumidores a escreverem para a Apple exigindo que a empresa solte a franga.
A macacada adepta dos
iPods está reclamando feito louca, pois muitos consumidores compram CDs
protegidos sem saberem a roubada em que estão entrando. Só caem na real
quando chegam em casa e tentam chupar as canções para dentro de seus iPods,
ou então quando tentam ripar o CD.
Tempestade em copo
d'água?
Alguns analistas argumentam
que a insatisfação dos consumidores não passa de um injustificável "piti".
Mas não é não. Há muitos casos em que as gravadoras realmente pisam na bola
e o consumidor fica chupando dedo, como ocorreu com o recente "recall" do CD
protegido "Nothing Is Sound", lançado pelo EMI Christian Music Group, e que
tinha parâmetros DRM incorretos, fato que impedia a ripagem das trilhas.
A situação está se tornando
tão bizarra e pegajosa que o próprio site da Sony BMG provê
informações
sobre como copiar músicas de CDs protegidos para o HD e sobre como fazer
cópias de backup dos CDs.
Quem acompanha desde o início
o explosivo fenômeno do escracho musical MP3 sabe muito bem que a evolução
desta matéria acontecerá em ciclos, numa longa espiral ascendente, em que as
gravadoras sempre arranjam uma fórmula miraculosa e à prova de erros para
proteger seus interesses, e depois algum fuxiqueiro mais inteligente
encontra um jeito de quebrar a proteção e divulga as dicas para o mundo
inteiro, de graça. Será que algum dia isso acaba? Duvido.
* Fonte: Fórum PCs (www.forumpcs.com.br)
e HostNet (www.hostnet.com.br)