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Proteção anticópia: até artistas são contra.
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Por: Carlos Alberto Teixeira - 10/10/2006

Quanta grana será que a indústria fonográfica vem perdendo com os adventos do MP3 e da prática de ripar CD's de música? Não se sabe exatamente o montante, mas tem sido muito, muito dinheiro. Mais ainda depois que apareceu o iPod da Apple. A turma vai sugando centenas de músicas para dentro de seus adoráveis aparelhinhos e lá se vão gigas e gigas de sonzaço dentro do bolso de um paisano qualquer perambulando pelas ruas.

Mas tem gente querendo acabar com a festa da rapaziada. Bem, acabar acho não conseguem, mas dificultar um pouco, talvez. É que grandes gravadoras como EMI e Sony BMG estão lançando cada vez mais títulos em CD nos Estados Unidos com mecanismos de bloqueio para transferências de músicas para iPod. A Sony BMG está usando DRM (Digital Rights Management) para restringir quais formatos de arquivos podem ser usados pelo consumidor para realizar cópias digitais de músicas, dentre os quais, obviamente, não se inclui o formato MP3. Além desta limitação, o DRM também pretende limitar quantas cópias o indivíduo pode fazer dos arquivos. Por sua vez, a EMI está testando um esquema similar de proteção que pretende adotar em larga escala no ano que vem.

Goela abaixo

Acontece que estas decisões não estão descendo direito goela abaixo de alguns dos artistas cujos CDs foram protegidos. Segundo recentemente anunciou a rede CNN, muitos grupos musicais e artistas estão publicando em seus websites oficiais instruções sobre como burlar estes esquemas de proteção. Alguns sites estão difundindo para os donos de iPods uma das mais simples maneiras de contornar o entrave, qual seja, ripar o CD trancado para dentro de um arquivo Windows Media, queimar as trilhas num CD-R furreca sem proteção e depois ripá-lo novamente, sendo que desta vez para dentro do iTunes.

Como exemplo deste nem tão silencioso motim, Tim Foreman, guitarrista do grupo Switchfoot, no dia 14 de setembro postou num site de fãs do conjunto, hospedado na própria Sony Music, um link para o famoso programeto CDEX, um dos que permitem burlar a barreira. Desnecessário dizer que, logo no dia seguinte, o tal post foi removido do fórum.

É claro que alguns artistas "protegidos" dão a maior força às iniciativas anticópia, mas o fato de existirem posições favoráveis à burla é o que realmente chama atenção. Por ora, os CDs protegidos, que vêm despertando a ira de nove entre dez consumidores, só podem ser tocados com softwares e dispositivos compatíveis com a tecnologia Windows Media Player do nosso titio Bill. Já a Apple, empresa líder no mercado de música digital, continua fazendo jogo duro ante os efusivos pedidos das gravadoras para que licencie seu esquema DRM FairPlay para uso em CDs protegidos. A Sony BMG, por exemplo, que já vendeu mais de 13 milhões de CDs protegidos, põe lenha na fogueira, incentivando seus consumidores a escreverem para a Apple exigindo que a empresa solte a franga.

A macacada adepta dos iPods está reclamando feito louca, pois muitos consumidores compram CDs protegidos sem saberem a roubada em que estão entrando. Só caem na real quando chegam em casa e tentam chupar as canções para dentro de seus iPods, ou então quando tentam ripar o CD.

Tempestade em copo d'água?

Alguns analistas argumentam que a insatisfação dos consumidores não passa de um injustificável "piti". Mas não é não. Há muitos casos em que as gravadoras realmente pisam na bola e o consumidor fica chupando dedo, como ocorreu com o recente "recall" do CD protegido "Nothing Is Sound", lançado pelo EMI Christian Music Group, e que tinha parâmetros DRM incorretos, fato que impedia a ripagem das trilhas.

A situação está se tornando tão bizarra e pegajosa que o próprio site da Sony BMG provê informações sobre como copiar músicas de CDs protegidos para o HD e sobre como fazer cópias de backup dos CDs.

Quem acompanha desde o início o explosivo fenômeno do escracho musical MP3 sabe muito bem que a evolução desta matéria acontecerá em ciclos, numa longa espiral ascendente, em que as gravadoras sempre arranjam uma fórmula miraculosa e à prova de erros para proteger seus interesses, e depois algum fuxiqueiro mais inteligente encontra um jeito de quebrar a proteção e divulga as dicas para o mundo inteiro, de graça. Será que algum dia isso acaba? Duvido.

Fonte: Fórum PCs (www.forumpcs.com.br) e HostNet (www.hostnet.com.br)

 

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